Premiações reforçam protagonismo dos vinhos de inverno e evidenciam a contribuição da EPAMIG, do pesquisador Murilo de Albuquerque Regina e da vitivinicultura mineira para o desenvolvimento regional e nacional.
O Sul de Minas Gerais voltou a ganhar projeção internacional com os resultados do Decanter World Wine Awards 2026, um dos mais prestigiados concursos de vinhos do mundo.
A edição deste ano marcou o melhor desempenho já registrado pelo Brasil na competição, com um total de 221 medalhas conquistadas, das quais, 78 foram atribuídas a rótulos produzidos a partir da técnica da dupla poda, desenvolvida e consolidada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG).

Mais do que um conjunto expressivo de premiações, os resultados evidenciam uma transformação estrutural na vitivinicultura brasileira, cujo marco inicial remonta a pesquisas conduzidas há mais de duas décadas no município de Caldas, no Sul de Minas, onde está instalada uma das unidades de referência da EPAMIG. Foi nesse ambiente de pesquisa que o agrônomo e pesquisador Murilo de Albuquerque Regina liderou os estudos que deram origem à técnica da dupla poda, também conhecida como colheita de inverno.
A inovação consiste na realização de duas podas ao longo do ciclo da videira, o que permite inverter o período natural de maturação e deslocar a colheita para o inverno. Essa alteração proporciona condições climáticas mais favoráveis, como menor incidência de chuvas e maior amplitude térmica entre dia e noite, fatores decisivos para a concentração de aromas, equilíbrio de acidez e complexidade dos vinhos.
Ao longo dos anos, a técnica superou o ceticismo inicial e se consolidou como uma das principais inovações da vitivinicultura contemporânea, sendo hoje adotada por produtores em diferentes regiões do Sudeste. O modelo deu origem ao segmento dos chamados vinhos de inverno, que vêm ampliando a presença do Brasil em premiações internacionais e consolidando novas fronteiras produtivas.
Entre os destaques brasileiros no Decanter 2026 estão vinícolas que utilizam a dupla poda como base de produção, como Casa Geraldo (Andradas/MG), Maria Maria (Boa Esperança/MG) e Guaspari (Espírito Santo do Pinhal/SP), responsáveis por conquistas de medalhas de Ouro, uma das mais altas distinções do concurso. A vinícola primeira estrada conquistou medalhas de prata e bronze nesta edição, e a honra de ter sido mãe e precursora da técnica de grande parte das demais premiações.
O desempenho reforça a relevância estratégica do Sul de Minas na consolidação dessa nova vitivinicultura. Cidades como Caldas, Andradas, Cordislândia, Três Corações e São Gonçalo do Sapucaí passam a integrar um circuito produtivo reconhecido internacionalmente, impulsionando investimentos, fortalecendo o enoturismo e ampliando o valor agregado da produção agrícola regional.
Além do impacto econômico, o avanço também evidencia o papel central da pesquisa científica no desenvolvimento do setor. A tecnologia originada em Caldas permitiu reposicionar o Brasil no cenário mundial do vinho, elevando o país à condição de produtor de rótulos finos reconhecidos em concursos de alta exigência técnica.
Nesse contexto de inovação e expansão, a Vinícola Primeira Estrada, localizada em Caldas e vinculada ao próprio pesquisador Murilo de Albuquerque Regina, assume papel de destaque como um dos principais símbolos dessa transformação. Estruturada a partir do conhecimento científico desenvolvido pela EPAMIG, a vinícola se consolidou como vitrine do potencial dos vinhos de inverno brasileiros e referência no enoturismo mineiro.
Mais do que um empreendimento produtivo, a Vinícola Primeira Estrada tornou-se um ativo estratégico para o município de Caldas. Sua atuação contribui diretamente para a geração de empregos, dinamização da economia local e fortalecimento de cadeias associadas à agricultura, gastronomia, hotelaria e turismo. O espaço também vem atraindo a atenção de visitantes, pesquisadores, investidores e representantes do poder público, que enxergam no projeto um exemplo concreto de inovação aplicada ao desenvolvimento regional.
O impacto da iniciativa ultrapassa as fronteiras municipais. A experiência construída em Caldas, sob a liderança de Murilo Regina e com base nas pesquisas da EPAMIG, ajudou a projetar o Sul de Minas como uma das principais fronteiras vitivinícolas do país. Hoje, a região é reconhecida por especialistas como um dos mais consistentes exemplos de inovação agrícola aplicada à produção de vinhos de classe mundial em condições até então consideradas adversas.
O reconhecimento obtido no Decanter World Wine Awards 2026 reforça essa trajetória e consolida o legado de um processo iniciado nos vinhedos experimentais da EPAMIG em Caldas, que segue transformando a economia regional e posicionando Minas Gerais e o Brasil em destaque no cenário internacional do vinho.



